A cliente pagou R$ 150 no cartão, mas na sua conta caiu menos. A diferença é a taxa da maquininha, também chamada de taxa de desconto. Ela é uma porcentagem do valor da venda e muda conforme a forma de pagamento, o número de parcelas e o prazo em que você recebe.
Por que a taxa pesa mais do que parece
A taxa é cobrada sobre o preço inteiro, e não sobre o seu lucro. Imagine um serviço de R$ 150 em que, depois do material, das contas e da sua retirada, sobram R$ 30 de lucro. Uma taxa de 4% leva R$ 6. Perto de R$ 150 parece pouco, mas são 20% do lucro daquele atendimento.
Como funciona cada forma de pagamento
- Dinheiro: não tem taxa, mas tem outros cuidados, como troco, segurança e o trabalho de levar ao banco.
- Pix: costuma ser a forma mais barata. Para pessoa física e para o empresário individual, como o MEI, a regra do Banco Central não deixa o banco cobrar pelo envio de Pix, mas permite cobrar quando você recebe um Pix de venda. Empresas em outros formatos podem pagar para enviar e para receber. Confira a tabela de tarifas da sua conta e da maquininha, se receber o Pix por ela.
- Débito: a taxa costuma ser menor que a do crédito, e o dinheiro cai em pouco tempo.
- Crédito à vista: a taxa é maior que a do débito. Em muitos planos, o dinheiro só cai depois de alguns dias ou semanas.
- Crédito parcelado: em geral é a taxa mais alta, porque inclui o custo de esperar meses pelas parcelas ou de receber antes.
As taxas mudam muito de uma empresa para outra e de um plano para outro. Por isso, este artigo não traz uma tabela do mercado: o número que importa é o do seu contrato. Ele aparece no aplicativo ou no site da sua maquininha.
Antecipação: receber antes tem custo
Muitas maquininhas oferecem receber tudo no dia seguinte. Isso tem nome: antecipação de recebíveis. Na prática, você paga um valor a mais para não esperar o prazo normal. Às vezes, esse custo já vem embutido no plano, e a taxa parece maior sem você saber por quê. Vale perguntar: em quantos dias eu recebo, e quanto pago a mais por receber antes?
Antecipar de vez em quando, para cobrir uma conta, pode fazer sentido. Antecipar sempre é como pagar todo mês para usar o próprio dinheiro. Ter uma reserva no caixa ajuda a esperar o prazo normal.
Como comparar e escolher
- Pegue o extrato do último mês e veja quanto você pagou de taxa no total.
- Separe as vendas por forma de pagamento: quanto entrou no Pix, no débito e no crédito.
- Compare o seu plano com outras propostas, olhando a taxa e o prazo de recebimento juntos.
- Some o aluguel ou a compra da máquina, se houver.
- Reveja a escolha uma vez por ano: as condições mudam, e o seu volume de vendas também.
Posso dar desconto no Pix?
Pode. A Lei 13.455, de 2017, autoriza preços diferentes conforme o prazo ou a forma de pagamento. A mesma lei exige que os descontos estejam informados em local e formato visíveis para a cliente. Uma plaquinha na recepção ou uma linha na sua tabela de preços resolvem.
Muitos studios preferem dar um pequeno desconto no Pix a aumentar o preço no cartão. A mensagem é mais simpática, e o resultado é parecido. Só confira se o desconto cabe no preço: ele não pode ser maior que a taxa que você economiza.
A taxa é só uma das partes do preço. Para ver a conta completa, leia como calcular o preço da unha e como controlar o caixa no dia a dia. E veja como as taxas mexem no seu ponto de equilíbrio.
Perguntas frequentes
A taxa da maquininha entra no preço do serviço?
Entra. Ela é um custo de cada atendimento, como o material. Se a maioria das suas clientes paga no crédito, o preço precisa considerar essa taxa.
Vale a pena ter mais de uma maquininha?
Pode valer se as taxas forem bem diferentes para o débito, o crédito ou o parcelado. Mas cada máquina tem aluguel, extrato e prazos próprios. Some tudo antes de decidir.
Posso repassar a taxa do parcelamento para a cliente?
A lei permite preços diferentes conforme a forma de pagamento, desde que a diferença esteja informada de forma visível antes do pagamento. Explique com clareza quanto fica em cada opção.