Todo mês começa com contas chegando: aluguel, luz, internet, o DAS do MEI, o contador. Os primeiros atendimentos do mês servem para pagar essas contas. Só depois que elas estão cobertas é que o studio começa a ganhar dinheiro de verdade. O momento em que o que entrou empata com o que precisa sair tem nome: ponto de equilíbrio.

O que é ponto de equilíbrio

É o quanto o studio precisa faturar, ou quantos atendimentos precisa fazer, para não ter lucro nem prejuízo. O guia de precificação do Sebrae o descreve como o volume de vendas capaz de cobrir todos os gastos fixos e variáveis da empresa. Abaixo dele, o mês fecha no vermelho. Acima dele, cada atendimento a mais começa a deixar lucro.

As duas peças da conta

Para chegar ao ponto de equilíbrio, você precisa de duas informações:

  • As contas fixas do mês: tudo o que você paga mesmo que não atenda ninguém. Aluguel, condomínio, luz, água, internet, telefone, DAS, contador, aplicativos, manutenção de equipamentos e a sua retirada, aquele valor que você tira para viver.
  • Quanto sobra de cada atendimento para pagar essas contas: o preço do serviço menos o que ele gasta sozinho, como material, taxa do cartão e comissão. Essa sobra é o que, atendimento por atendimento, vai cobrindo as contas fixas.

Com essas duas peças, a pergunta é simples: quantas sobras de atendimento são necessárias para pagar as contas do mês?

Por que a média engana um pouco

Na vida real, ninguém faz só o "atendimento médio". Uma esmaltação deixa uma sobra pequena e ocupa pouco tempo. Um alongamento deixa uma sobra maior, mas ocupa a tarde inteira. Se o mês tiver muitos serviços longos e baratos, você pode bater a meta de atendimentos e mesmo assim não pagar as contas. A média serve para ter uma ideia; o retrato fiel vem de olhar serviço por serviço, junto com o tempo de agenda que cada um ocupa.

Como usar o ponto de equilíbrio no dia a dia

  • Planejar a agenda: saber que precisa de 60 atendimentos mostra quantos horários precisam estar ocupados por semana.
  • Decidir folgas e férias: você enxerga quantos dias de trabalho são necessários para cobrir o mês.
  • Avaliar uma despesa nova: uma cadeira nova de R$ 300 por mês exige 4 atendimentos a mais para se pagar (R$ 300 ÷ R$ 75).
  • Revisar preços: se o número de atendimentos para empatar é maior do que a sua agenda comporta, o preço ou os custos precisam mudar.

Três jeitos de baixar o ponto de equilíbrio

  1. Reduzir as contas fixas: renegociar o aluguel, cortar assinaturas que você não usa, economizar energia.
  2. Aumentar a sobra de cada atendimento: ajustar preços, reduzir o desperdício de material e incentivar formas de pagamento com taxa menor. Veja quanto a maquininha leva e como calcular o preço da unha.
  3. Aproveitar melhor o tempo: encher os horários vazios e reduzir as faltas, que são atendimentos perdidos.

Ponto de equilíbrio e retirada andam juntos

Muita dona de studio calcula o ponto de equilíbrio sem incluir o próprio salário e comemora quando passa dele. Só que, sem a retirada na conta, o "lucro" que aparece é, na verdade, o pagamento do seu trabalho. Coloque a retirada nas contas fixas. Assim, quando o studio passar do ponto de equilíbrio, o que sobrar será lucro de verdade. Veja como definir esse valor em como separar o dinheiro pessoal do dinheiro do studio.

Saber o seu ponto de equilíbrio também ajuda a decidir quanto guardar para os meses fracos. Falamos disso em reserva de emergência para quem trabalha por conta.

Perguntas frequentes

O ponto de equilíbrio muda todo mês?

Muda sempre que as contas fixas, os preços ou os custos de cada serviço mudam. Vale refazer a conta quando o aluguel subir, quando você reajustar os preços ou quando entrar alguém novo na equipe.

A minha retirada entra nas contas fixas?

Deveria entrar. Se o valor que você tira para viver não estiver nas contas, o studio pode parecer equilibrado enquanto você trabalha de graça.

E se eu ofereço muitos serviços diferentes?

A conta fica mais trabalhosa, porque cada serviço deixa uma sobra diferente e ocupa um tempo diferente da agenda. Uma média ajuda a ter uma ideia, mas o ideal é olhar serviço por serviço.