Quem começa a atender quase sempre faz a mesma conta: olha quanto as outras profissionais cobram e coloca um valor parecido. O problema é que o preço da vizinha foi pensado para os custos dela, para o tempo dela e para a vida dela. Se o seu material, o seu aluguel ou a sua taxa de cartão forem diferentes, aquele valor pode deixar você no prejuízo sem que perceba.
Calcular o preço não precisa ser complicado. Ele é formado por quatro partes: o que você gasta em cada atendimento, a sua parte das contas do mês, o valor do seu trabalho e o lucro. Vamos ver cada uma delas.
1. O que você gasta em cada atendimento
São os gastos que só existem porque aquela cliente sentou na sua mesa. Se ela não viesse, você não gastaria. Entram aqui:
- Material: a parte do gel, da base, do esmalte, do top coat e do primer que vai em cada cliente, além de lixas, palitos, algodão, luvas e toalhas descartáveis.
- Taxa do pagamento: a parte que a maquininha ou o banco fica quando a cliente paga no cartão e, em alguns casos, no Pix.
- Comissão: se outra profissional fez o atendimento, a parte que é dela.
Muita gente esquece os descartáveis e a taxa do cartão. Separados, parecem centavos. Somados no mês, viram um valor que faz falta. No artigo sobre o custo do material por atendimento, mostramos como descobrir quanto de cada frasco vai em uma cliente.
2. A sua parte das contas do mês
Aluguel, luz, água, internet, o DAS do MEI, o contador, o aplicativo de agenda, a troca de alicates e da cabine. Essas contas chegam todo mês, tenha você atendido 30 ou 130 clientes. Por isso, cada atendimento precisa ajudar a pagar um pedaço delas.
O jeito mais simples de entender é somar todas as contas do mês e pensar em quantos atendimentos você faz. Se as contas somam R$ 2.000 e você atende 100 clientes, cada atendimento precisa trazer, em média, R$ 20 só para isso. Na prática, um serviço que ocupa três horas da sua agenda deveria carregar uma parte maior das contas do que uma esmaltação rápida, porque usa mais do tempo que você tem para atender.
3. O valor do seu trabalho
Esse é o ponto mais esquecido por quem trabalha sozinha. Se você não coloca o seu salário na conta, o studio pode até parecer lucrativo, mas na verdade você está trabalhando de graça. Defina quanto precisa tirar por mês para viver, a sua retirada, e trate esse valor como uma conta fixa, igual ao aluguel.
O tempo também conta. Um alongamento que leva três horas não pode custar o mesmo que uma manutenção de uma hora e meia, mesmo que o material seja parecido. O seu dia tem poucas horas de atendimento, e cada uma delas precisa valer a pena.
4. O lucro
Depois de pagar os gastos, as contas e a sua retirada, precisa sobrar alguma coisa. Esse lucro é o que permite trocar a cabine que queimou, fazer um curso, passar por um mês fraco sem desespero e fazer o studio crescer. Preço que só empata não protege você de nenhum imprevisto.
Como usar o preço da sua região
Olhar o mercado continua sendo importante. Ele mostra o que as clientes do seu bairro estão acostumadas a pagar e ajuda a posicionar o seu serviço. Use esse valor como régua, e não como resposta. Se o preço da região ficar abaixo do que os seus custos pedem, você tem três caminhos: reduzir custos, mostrar por que o seu trabalho vale mais (técnica, durabilidade, atendimento, conforto) ou ajustar o serviço, por exemplo cobrando a decoração à parte.
Erros comuns na hora de dar preço
- Esquecer a taxa do cartão e calcular como se toda cliente pagasse no dinheiro. Veja quanto a maquininha leva de cada atendimento.
- Não colocar a própria retirada nas contas.
- Usar o mesmo preço para serviços com tempos muito diferentes.
- Reajustar só quando o prejuízo aparece, em vez de revisar com calma uma vez por ano.
- Dar desconto sem saber quanto sobra do serviço.
Quer ir além? Descubra quantos atendimentos pagam as contas do mês e quanto cobrar pela manutenção.
Perguntas frequentes
Posso copiar o preço da concorrência?
Olhar os preços da sua região ajuda a entender o que as clientes esperam pagar, mas os custos da outra profissional não são os seus. Use o preço do bairro como referência e confira se ele cobre os seus custos, o seu tempo e ainda deixa lucro.
Com que frequência devo revisar os meus preços?
Sempre que um material importante subir, quando mudar a taxa da maquininha ou o aluguel, e pelo menos uma vez por ano. Reajustes pequenos e avisados com antecedência costumam ser mais bem aceitos do que um aumento grande de uma vez.
E se o preço certo ficar acima do que as minhas clientes pagam?
Antes de baixar o preço, veja onde dá para economizar: material com melhor rendimento, menos horários vazios na agenda, forma de pagamento mais barata. Às vezes vale ajustar o serviço, por exemplo cobrando a decoração à parte do valor base.